domingo, 17 de julho de 2011



Sumi porque só faço besteira em sua presença, fico mudo
quando deveria verbalizar, digo um absurdo atrás do outro quando
melhor seria silenciar, faço brincadeiras de mau gosto e sofro
antes, durante e depois de te encontrar.
Sumi porque não há futuro e isso não é o mais difícil de
lidar, pior é não ter presente e o passado ser mais fluido que o ar.
Sumi porque não há o que se possa resgatar, meu sumiço é
covarde mas atento, meio fajuto meio autêntico, sumi porque
sumir é um jogo de paciência, ausentar-se é risco e sapiência,
pareço desinteressado, mas sumi para estar para sempre do seu
lado, a saudade fará mais por nós dois que nosso amor e sua
desajeitada e irrefletida permanência.


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Mas nós, nós que compreendemos a vida, nós não ligamos aos números ! Gostaria de ter começado esta história à moda dos contos de fada.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Ela não sabe se ama demais ou se odeia demais. Só sabe que é demais, e faz disso todo o seu mundo.


O Sol vai, mas ela fica lá observando de longe. Um dia vai se declarar e quem sabe ele esteja esperando
mesmo ouvi-la. Por que a Lua não se apaixona por aquela estrela, sempre a primeira a aparecer no céu,
louca pra chegar perto dela? Por que o Sol, tão consciente disso tudo, não dá um pouco de brilho pra Lua
durante o dia também? Por que a gente nunca pode se apaixonar por quem tá por perto, esperando pra dizer
o quanto a gente é especial?

terça-feira, 12 de julho de 2011

"Não lhe direi as razões que tens para me amar, pois elas não existem. A razão do amor é o amor".


Preciso de alguém! Que me olhe nos olhos quando falo. Que ouça as minhas tristezas e neurozes com paciência e ainda que não
compreenda, respeite os meus sentimentos. Preciso de alguém que venha brigar ao meu lado sem precisar ser convocado.
Alguém amigo o suficiente para dizer-me as verdades que não quero ouvir, mesmo sabendo que posso ficar irritado por isso.
Nesse mundo de céticos, preciso de alguém que creia nessa coisa misteriosa, desacreditada, quase impossível: a amizade. Que teime em ser leal, simples e justo. Que não vá embora se algum dia eu perder o meu ouro e não for mais a sensação da festa. Preciso de um amigo que receba com gratidão o meu auxílio, a minha mão estendida, mesmo que isto seja
muito pouco para suas necessidades. Um amigo que também seja companheiro nas farras e tristezas e nas alegrias, e que no meio da tempestade, grite em coro comigo: " Nós ainda vamos rir disso tudo... " Não pude escolher aqueles que me trouxeram ao mundo, mas posso escolher meus amigos.


segunda-feira, 11 de julho de 2011

"O Amor é a única coisa que cresce à medida que se reparte".


- eu nao sei dizer eu te amo
- claro que sabe. Já tentou?
-eu digo para a familia tranquilamente, mas para namorados é mt dificil. Para amigos, só os mais chegados.
- Eu sou superchegada e você nunca me disse que me amava.
- Jura?
- Juro.
(...)
- eu digo sempre pra minha mãe o quanto a amo, mais pros amigos rola a trava. A gente é esquesita né? Três palavrinhas tâo pequenas e tâo significativas. e a gemte fica cheia de dedos pra dizer.
- Pois eu nao tenho a menor vergonha de dizer que te amo. e eu sei que você me ama. E mais. Amo ser amada por você, por mais bega que seja essa frase.



"Amar talvez seja isso...
Descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz."

quinta-feira, 7 de julho de 2011

"Ser bobo"



O bobo, por não se ocupar com ambições, tem tempo para ver, ouvir e tocar o mundo. O bobo é capaz de ficar sentado quase sem se mexer por duas horas. Se perguntado por que não faz alguma coisa, responde: "Estou fazendo. Estou pensando".
Ser bobo às vezes oferece um mundo de saída porque os espertos só se lembram de sair por meio da esperteza, e o bobo tem originalidade, espontaneamente lhe vem a idéia.

O bobo tem oportunidade de ver coisas que os espertos não vêem. Os espertos estão sempre tão atentos às espertezas alheias que se descontraem diante dos bobos, e estes os vêem como simples pessoas humanas. O bobo ganha utilidade e sabedoria para viver. O bobo nunca parece ter tido vez. No entanto, muitas vezes, o bobo é um Dostoievski.

Há desvantagem, obviamente. Uma boba, por exemplo, confiou na palavra de um desconhecido para a compra de um ar refrigerado de segunda mão: ele disse que o aparelho era novo, praticamente sem uso porque se mudara para a Gávea onde é fresco. Vai a boba e compra o aparelho sem vê-lo sequer. Resultado: não funciona. Chamado um técnico, a opinião deste era de que o aparelho estava tão estragado que o conserto seria caríssimo: mais valia comprar outro. Mas, em contrapartida, a vantagem de ser bobo é ter boa-fé, não desconfiar, e portanto estar tranqüilo. Enquanto o esperto não dorme à noite com medo de ser ludibriado. O esperto vence com úlcera no estômago. O bobo não percebe que venceu.

Aviso: não confundir bobos com burros. Desvantagem: pode receber uma punhalada de quem menos espera. É uma das tristezas que o bobo não prevê. César terminou dizendo a célebre frase: "Até tu, Brutus?"
Bobo não reclama. Em compensação, como exclama !

Os bobos, com todas as suas palhaçadas, devem estar todos no céu. Se Cristo tivesse sido esperto não teria morrido na cruz.

O bobo é sempre tão simpático que há espertos que se fazem passar por bobos. Ser bobo é uma criatividade e, como toda criação, é difícil. Por isso é que os espertos não conseguem passar por bobos. Os espertos ganham dos outros. Em compensação os bobos ganham a vida. Bem-aventurados os bobos porque sabem sem que ninguém desconfie. Aliás não se importam que saibam que eles sabem.

Há lugares que facilitam mais as pessoas serem bobas (não confundir bobo com burro, com tolo, com fútil). Minas Gerais, por exemplo, facilita ser bobo. Ah, quantos perdem por não nascer em Minas!

Bobo é Chagall, que põe vaca no espaço, voando por cima das casas. É quase impossível evitar excesso de amor que o bobo provoca. É que só o bobo é capaz de excesso de amor. E só o amor faz o bobo.

quarta-feira, 6 de julho de 2011

: "Amor será dar de presente ao outro a própria solidão? Pois é a última coisa que se pode dar de si."



I
Há muito tempo, tudo o que quis for ser beijada,
E ainda quero…
<beijos intermináveis, até que os lábios mudem de cor>
Mas só meus lábios não produzem beijos,
Homens vivem,
Mulheres planejam?

Há muito tempo, havia em mim ingenuidade,
Era então só ‘sorrisos’,
<pergunte às flores do caminho>
Mas minha fé ingênua foi cruelmente morta,
Derramei rios de lágrimas,
Cravei minhas unhas nas palmas das mãos,
E nisso fiquei absorta,

Socorri-me de força de vontade,
De auto-domínio para poder suplantar
Para poder suportar,
Para poder vencer

Mas isso foi há muito tempo….

II
Todos os dias preciso de afeto,
Minha natureza delicada assim o exige,
Insinuaram que era doente,
Insinuaram que ‘precisava de ajuda’
Meus presentes, frutos de meu coração,
Foram tidos como moeda de escambo,
Transformaram-me em mera mercadora,
Trataram-me como mera mercadoria!

Imputaram-me vilania,
Mas isso,
Foi há tanto tempo!

III
Dói-me saber que fiz
Juras de amor tão sinceras,
Juras de amor pouco austeras…
Amei e, querendo ser amada,
Fui SÓ desejada…
Homens desejam,
Mulheres amam.

Há muito tempo,
Havia inspiração,
Enternecia-me com a música,
E, até mesmo….com a cor do céu!
Mas isso,
Isso foi há muito, muito tempo!


IV
Em dado momento perdi a fé,
Perdi esperança,
Morri um pouco….
Cartas voltaram, com carimbos:
- Ausente,
- Recusado,
- Morto
Então morri um pouco….

Se buscasse apenas a satisfação da carne,
Encontraria em qualquer esquina,
Em qualquer rosto….
Homens desejam amantes,
Mulheres desejam Amados!

Quanto tempo faz?
Faz tempo demais!?

Fatima - Blog Palavras Sem Sentido

terça-feira, 5 de julho de 2011

"Amar talvez seja isso... Descobrir o que o outro fala mesmo quando ele não diz."



A Raposa e o Principe
 E foi então que apareceu a raposa:
-Bom dia,disse a raposa.
-Bom dia,respondeu polidamente o principezinho,que se voltou,mas não viu nada.
Eu estou aqui,disse a voz,debaixo da macieira...
-Quem és tu?perguntou o principezinho.Tu és bem bonita...
-Sou uma raposa,disse a raposa.
-Vem brincar comigo,propôs o principezinho.Estou tão triste...
-Eu não posso brincar contigo,disse a raposa.Não me cativaram ainda.
-Ah!desculpa,disse o principezinho.Após uma reflexão,acrescentou:
-Que quer dizer "cativar"?
-Tu não és daqui,disse a raposa.Que procuras?
-Procuro os homens,disse o principezinho.Que quer dizer "cativar"?
-Os homens,disse a raposa,têm fuzis e caçam.É bemincômodo!Criam galinhas também.
É a única coisa interessante que eles fazem.Tu procuras galinhas?
-Não,disse o principezinho.Eu procuro amigos.Que quer dizer "cativar"?
-É uma coisa muito esquecida,disse a raposa.Significa "criar laços...".
-Criar laços?
-Exatamente,disse a raposa.Tu não és ainda para mim senão um garoto inteiramente igual
a cem mil outros garotos.E eu não tenho necessidade de ti.E tu não tens necessidade de mim.
Não passo a teus olhos de uma raposa igual a cem mil outras raposas.
Mas se tu me cativas,nós teremos necessidade um do outro.Serás para mim único no mundo.
E eu serei para ti única no mundo...

-Começo a compreender,disse o principezinho...Existe uma flor...eu creio que ela me cativou...
-É possível,disse a raposa.Vê-se tanta coisa na Terra...
-Oh!não foi na Terra,disse o principezinho.
A raposa pareceu intrigada:
-Num outro planeta?
-Sim.
-Há caçadores nesse planeta?
-Não.
-Que bom.E galinhas?
-Também não.
-Nada é perfeito,suspirou a raposa.
Mas a raposa voltou à sua idéia:
-Minha vida é monótona.Eu caço galinhas e os homens me caçam.Todas as galinhas se parecem
e todos os homens se parecem também.E por isso me aborreço um pouco.Mas se tu me cativas,
minha vida será como que cheia de sol.Conhecerei um barulho de passos que será diferente dos outros.

Os outros passos me fazem entrar debaixo da terra.O teu me chamará para fora da toca,como se fosse música.
E depois,olha!Vês lá longe,os campos de trigo?Eu não como pão.O trigo para mim é inútil.Os campos de
trigo não me lembram coisa alguma.
E isso é triste!Mas tu tens cabelos cor de ouro.Então será maravilhoso
quando me tiveres cativado.O trigo,que é dourado,fará lembrar-me de ti.E eu amarei o barulho do vento no trigo...

A raposa calou-se e considerou por muito tempo o príncipe:
-Por favor...cativa-me!disse ela.
-Bem quisera,disse o principezinho,mas eu não tenho muito tempo.Tenho amigos a descobrir e muitas coisas
a conhecer.
-A gente só conhece bem as coisas que cativou,disse a raposa.Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa
alguma.Compram tudo prontinho nas lojas.Mas como não existem lojas de amigos,os homens não têm mais
amigos.Se tu queres um amigo,cativa-me!
-Que é preciso fazer?perguntou o principezinho.
-É preciso ser paciente,respondeu a raposa.Tu te sentarás primeiro um pouco longe de mim,assim,na relva.Eu te olharei
para o canto do olho e tu não dirás nada.A linguagem é uma fonte de mal-entendidos.Mas,cada dia,te sentarás mais perto...

No dia seguinte o principezinho voltou.
-Teria sido melhor voltares à mesma hora,disse a raposa.Se tu vens,por exemplo,às quatro da tarde,desde às três eu
começarei a ser mais a hora for chegando,mais eu me sentirei feliz.Às quatro horas então,estarei inquieta
e agitada:descobrirei o preço da felicidade!

Pequeno Principe